sexta-feira, 26 de maio de 2023

Opinião: A Inteligência Artificial é uma aliada dos trabalhadores?

 


O termo Inteligência Artificial – IA apareceu pela primeira vez em conferência de pesquisadores na área de tecnologia, nos anos 70. De lá para cá ele já foi esquecido, esquentado e agora requentou de vez.

Muito se fala que a “nova” IA poderá mexer, ou tirar vagas de emprego do mercado de trabalho e que o trabalhador que não se adaptar à nova forma de industrialização e de fazer seu serviço estará fora das empresas de uma forma geral.

Para o pesquisador e jornalista inglês, Josh Gabert-Doyon, “o que está faltando nessa nova apreciação pela experiência do trabalhador é qualquer menção ao genuíno poder do trabalhador. Os trabalhadores não devem pegar as peças de automação depois que elas acontecerem – elas devem fazer parte do projeto”, ou seja, nada deve acontecer na fábrica, ou empresa, de forma que o trabalhador não tenha total domínio do processo. Isso, necessariamente não significa o fim dos empregos, mas o avanço deles.

“O envolvimento de um pequeno número de organizações sindicais internacionais nas conferências (de tecnologia) espalhadas pelo mundo, pode ser um bom começo na discussão, mas muitas vezes esses grupos são apresentados como ‘stakeholders’, em vez de veículos através dos quais os trabalhadores podem receber uma agência política genuína para decidir como as novas tecnologias são implantado no local de trabalho”, define Josh.

Por conta disso, o movimento sindical como um todo, luta pela valorização do trabalhador, não só na questão do salário e direitos, mas também na formação e melhores condições de trabalho e emprego.

O certo é que a IA veio para ficar e ela passará, e muito, de ser apenas um simpático robô garçom de novela, ou um braço mecânico que monta um objeto sozinho na esteira da indústria. Cabe a nós, sindicato e trabalhadores, encontrarmos uma forma de adaptação a ela, seja num restaurante, ou no chão de fábrica, e pressionarmos os patrões a sempre nos colocarem frente a frente com a tecnologia, como seres que querem e vão evoluir no emprego.

Isabel Rodrigues, jornalista

terça-feira, 23 de maio de 2023

SECHSPA REPUDIA: Racismo sofrido por Víni Jr. é mais habitual do que se pensa

 

Mais uma vez o jogador brasileiro Vini Jr., que participava de uma partida de futebol pelo campeonato espanhol, La Liga, entre Real Madrid, o clube que defende e o Valencia, no último domingo, 21/5, foi vítima de racismo.

Em suas redes sociais, o atacante escreveu: “a cada rodada fora de casa uma surpresa desagradável. E foram muitas nessa temporada. Desejos de morte, boneco enforcado, muitos gritos criminosos... Mas o discurso sempre cai em ‘casos isolados’, ‘um torcedor’. Não, não são casos isolados, são episódios contínuos e espalhados por várias cidades da Espanha”.

Para o pesquisador, Marcelo Diego Tonini, do Centro de Referência do Futebol Brasileiro, do Museu do Futebol, “o jogador enfrenta racismo sem apoio das instituições espanholas, justamente pelo seu jeito combativo na maneira fora de série de jogar e nas palavras, o que incomoda os racistas da Espanha”. Para Marcelo as punições têm de ir, além de multas, para muitas perdas de mando de campo e pontos, e que os torcedores identificados não possam mais frequentar os estádios.

Mas trazendo para nossa vida cotidiana, você já parou para pensar quantas vezes sofreu ataques racistas, que também podem ser mínimos, ou já teve atitude racistas com colegas, amigos, e pessoas que encontra no dia-a-dia?

O racismo, num geral é proporcional a vida que levamos, e pode ser muito sutil, como uma encarada demorada, ser chamado de nêgo ou nêga, ficar falando ou tocando o cabelo das pessoas negras o tempo todo, assim como as escancaradas: pessoas terem medo de roubo e desviarem na rua, só pelo tom de pele escuro do que vem em sentido contrário, ou ainda incluir a palavra “boa aparência” nos anúncios de vaga de emprego considerando que a “aparência boa” não inclui pessoas negras. Já paramos para pensar em tudo isso?

E enquanto nos questionamos sobre isso, o racismo continua acontecendo, sem que a sociedade mude de fato. E Vini Jr. encerra sua fala assim: “O que falta para criminalizarem essas pessoas? (...) O problema é gravíssimo e comunicados não funcionam mais. Me culpar para justificar atos criminosos, também não. No és fútbol, és inhumano”.

Enfim, não basta apenas ‘não sermos racistas’, precisamos ser ‘antirracistas’!

quinta-feira, 18 de maio de 2023

Opinião

 

Para as Centrais Sindicais, o Regime Fiscal Sustentável deve proteger o salário mínimo

O governo encaminhou para o Congresso Nacional a proposta que trata das regras para a gestão da política fiscal, ou seja, como o Governo Federal deverá tratar os investimentos e gastos orçamentários na relação com o comportamento de aumento ou queda das receitas em cada contexto econômico.

O objetivo é manter um orçamento equilibrado, financiando adequadamente as políticas públicas ao longo do tempo e com qualidade nos desembolsos, combinando responsabilidade social com responsabilidade fiscal, dando maior transparência às despesas e arrecadação. As regras propostas estão alinhadas com as boas práticas internacionais porque permitem uma visão de longo prazo, têm flexibilidade, são orientadas por metas críveis, combinando regras para a expansão das despesas em ritmo menor que o crescimento econômico, gerando condições para promover superávit primário, o que dá sustentabilidade à dívida pública.

Aumentar a confiança no equilíbrio fiscal, estimular a retomada dos investimentos, favorecer a queda dos juros, sustentar o crescimento e a geração de empregos são resultados esperados.

O Regime Fiscal Sustentável vem para substituir a Lei do Teto de Gastos (EC 95/2016), regra que demonstrou ser inviável porque foi mal formulada, comprometendo gastos e investimentos fundamentais, com uma rigidez que suscitou constantes mudanças e flexibilizações.

A nova regra basicamente prevê que as despesas podem crescer no limite de até 70% do aumento das receitas primárias, com uma banda de crescimento mínimo de 0,6% (que é o crescimento vegetativo da população brasileira) e com o limite máximo de 2,5% (PIB potencial projeto de médio prazo).

A regra lista o que não fica subordinado a estes limites, garantindo piso mínimo para o investimento público e permitindo adequado financiamento para as politicas públicas.

As Centrais Sindicais estiveram reunidas com o Deputado Cláudio Cajado (PP BA), relator na Câmara dos Deputados dessa matéria. Naquela oportunidade destacaram as seguintes questões:

  • É fundamental que o Brasil tenha um conjunto de regras críveis e bem elaboradas para a gestão do orçamento fiscal e que aumente a efetividade e a eficácia da gestão das políticas públicas. Essas regras devem gerar confiança, credibilidade e previsibilidade.
  • O Regime Fiscal Sustentável não pode e não deve se orientar para a criminalização do gestor público/governante. Deve orientar e estimular as boas práticas e a gestão transparente.
  • Três prioridades para o processo orçamentário futuro:
  • Garantir a vigência da política de valorização do salário mínimo, assegurando os aumentos da base salarial de toda a economia, instrumento indutor do crescimento econômico que fortalece a capacidade fiscal do Estado.
  • Organizar o orçamento para atuar de forma anticíclica, ou seja, nos momentos de crise o governo ter instrumentos para atuar para superar as adversidades.
  • Garantir robustez nos investimentos sociais (saúde e educação) e em infraestrutura econômica.

As Centrais Sindicais consideram urgente a aprovação desse projeto para abrir caminhos para um arranjo macroeconômico voltado ao investimento e crescimento econômico, bem como abrindo espaço para a redução dos juros básicos e para o tratamento no Congresso Nacional de matérias de alta importância para o país, como a reforma tributária.

Clemente Ganz Lúcio,
Sociólogo, Coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, consultor sindical.

terça-feira, 16 de maio de 2023

Ministro do Trabalho fala sobre Reforma Trabalhista

Ministro do Trabalho entende que última reforma não teve a eficiência que era esperada

O Ministro do Trabalho e do Emprego, Luiz Marinho, sinalizou, em entrevista ao Canal Livre, da Rede Bandeirantes, que o governo planeja endereçar alterações nas regras trabalhistas, mas que não está em discussão uma revogação da legislação.

Segundo ele, é evidente que há pontos a serem revisados e que a última reforma não teve a eficiência que era esperada e levou a um processo de trabalho precário profundo.

“Nós queremos provocar o diálogo entre as partes, empregadores e trabalhadores. O governo atua mais em provocar que as partes conversem para construção de entendimento. Até pelo perfil do Congresso, dificilmente adianta o governo fazer o melhor projeto possível e submeter ao Congresso, a chance de viabilidade é muito pequena”, disse durante entrevista exibida neste domingo, 14.

Entre os pontos que estão na mira do governo, há a terceirização, que, segundo Marinho, levou a um processo de diminuição da massa salarial forte no país e de degradação dos contratos na ponta.

“No campo trabalhista, não falamos em fazer uma revogação da legislação. É revisitar para fazer revisão de pontos necessários. Por exemplo, você precisa olhar o processo de terceirização, não para impedir a terceirização”, afirmou.

“Ela é um instrumento, uma ferramenta do mercado de trabalho e vai ficar, não tem conversa em relação a isso, o que precisa é ajustar para não degradar, como está acontecendo hoje, (em) algumas atividades econômicas.”

Geração de emprego

Em relação à criação de empregos, o ministro afirmou que a pasta “não faz milagre” e que a geração de novas vagas precisa ser dada pela atividade econômica. “A economia é que vai criar essas condições”, disse.

Contudo, ele defendeu que é preciso neste momento melhorar a qualidade do processo de formalização do mercado de trabalho e a qualificação.

Com informações: Estadão Conteúdo

terça-feira, 9 de maio de 2023

Ainda sobre o Projeto da Igualdade de Salários - PARTE 1

O texto do Projeto da Igualdade de Salários entre homens e mulheres que exerçam a mesma função, e aprovado pela Câmara dos Deputados no dia 4/5, altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para definir que a igualdade salarial será obrigatória. Para isso, estabelece mecanismos de transparência e de remuneração a serem seguidos pelas empresas, determina o aumento da fiscalização e prevê a aplicação de sanções administrativas.

Fiscalização e multa

Ato do Poder Executivo definirá protocolo de fiscalização contra a discriminação salarial e remuneratória entre homens e mulheres. Em caso de discriminação por motivo de sexo, raça, etnia, origem ou idade, além das diferenças salariais o empregador deverá pagar multa administrativa equivalente a dez vezes o valor do novo salário devido ao empregado discriminado – será o dobro na reincidência.
A quitação da multa e das diferenças salariais, não impedirá a possibilidade de indenização por danos morais à empregada.


Regras
Embora o texto aprovado obrigue a equiparação salarial a ser verificada por meio documental, as demais regras que definem as situações em que a desigualdade poderá ser reclamada pelo trabalhador continuam as mesmas definidas pela “reforma trabalhista” do governo Temer.

A única mudança feita pela proposta prevê a não aplicação dessas regras apenas quando o empregador adotar, por meio de negociação coletiva, plano de cargos e salários.

Em relação aos trabalhadores sem acesso a plano de cargos e salários, a CLT define que uma igual remuneração deverá ser paga no exercício de “idêntica função” por “todo trabalho de igual valor” no mesmo estabelecimento empresarial, sem distinção de sexo, etnia, nacionalidade ou idade.

Com informações: Agência Câmara de Notícias
OBS: o texto aprovado vai para apreciação do Senado Federal.

Continua abaixo...

Ainda sobre o Projeto da Igualdade de Salários - PARTE 2

O texto do Projeto da Igualdade de Salários entre homens e mulheres que exerçam a mesma função, e aprovado pela Câmara dos Deputados no dia 4/5, altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para definir que a igualdade salarial será obrigatória.
Confira as demais regras para aplicação da igualdade pelas empresas.

Relatórios
Para facilitar a fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego, o substitutivo aprovado determina às pessoas jurídicas de direito privado com cem ou mais empregados a publicação semestral de relatórios de transparência salarial e remuneratória. Empresas com mais de 100 empregados devem publicar o relatório a cada 6 meses.

Divulgação
Na internet, o Poder Executivo deverá tornar públicos, além das informações dos relatórios, indicadores atualizados periodicamente sobre mercado de trabalho e renda desagregados por sexo.

Diversidade
O texto aponta também outras medidas para se atingir a igualdade salarial:
- disponibilização de canais específicos para denúncias;
- promoção e implementação de programas de diversidade e inclusão no ambiente de trabalho por meio da capacitação de gestores, lideranças e empregados(as) sobre a temática da equidade entre homens e mulheres no mercado de trabalho, com aferição de resultados; e
- fomento à capacitação e formação de mulheres para ingresso, permanência e ascensão no mercado de trabalho em igualdade de condições com os homens.

Com informações: Agência Câmara de Notícias

OBS: o texto aprovado vai para apreciação do Senado Federal.

quinta-feira, 4 de maio de 2023

Câmara aprova igualdade de salários


A Câmara dos deputados aprovou por maioria absoluta há pouco, nesta quinta-feira, 4/5, o projeto de igualdade de salários entre mulheres e homens ( um substitutivo ao PL 1085/23). 

A proposta institui medidas para tentar garantir a igualdade salarial e remuneratória entre mulheres e homens na realização de trabalho de igual valor ou no exercício da mesma função e é uma vitória importante para que, de uma vez por todas, tenhamos salários iguais para trabalhos iguais.

O projeto foi apresentado pelo governo Lula, no dia 8 de março, e agora vai para apreciação do Senado.

quarta-feira, 3 de maio de 2023

Salário Mínimo Nacional 2023 reajustado desde 1º de maio

 

Apesar de nossa categoria ser regida, na sua maioria, pelo valor do salário mínimo regional e os trabalhadores estarem enquadrados nas Convenções Coletivas fechadas pelo Sindicato com os patrões, vários trabalhadores (principalmente, os provisórios) têm o salário mínimo nacional como base.

Pois, neste 1º de maio o Diário Oficial da União publicou o Medida Provisória 1.172/23, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que reajusta o salário mínimo para R$ 1.320 a partir da data.

Desta forma, o valor diário corresponde a R$ 44,00 e o valor horário, a R$ 6.

Tramitação

A MP 1172/23 já está em vigor, mas terá de ser analisada pelos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado.

PIS                                     

Para os trabalhadores que têm direito ao PIS, o de maio será pago a partir de 15 de maio, com o novo valor do Salário Mínimo, para os nascidos em julho e agosto.

Com informações: Agência Câmara de Notícias e guaíba.com.br

quarta-feira, 26 de abril de 2023

Artigo: Salário Mínimo

Proposta para a política de 
valorização do salário mínimo

Garantir um aumento real ao Salário Mínimo é parte da estratégia de sustentação do crescimento econômico através da ampliação do consumo das famílias a partir da renda da base da pirâmide salarial.

Está aberto o debate sobre a política de valorização do salário mínimo. O governo do Presidente Lula criou o Grupo de Trabalho, sob a coordenação do Ministro do Trabalho e Emprego Luiz Marinho, para estudar e fazer proposta para concretizar o objetivo de promover o aumento real do SM.

As Centrais Sindicais apresentaram na Pauta da Classe Trabalhadora a proposta de retomada dessa importante política, parte essencial de uma dinâmica econômica voltada para o desenvolvimento produtivo e para a superação das desigualdades. Consideram que os resultados alcançados pela política implementada entre 2004 e 2016 foram muito positivos e robustos.

Valorização do Salário Mínimo

A política de valorização do SM garantiu um aumento real de mais de 78%[1], já descontada a inflação. Atualmente o valor do SM é de R$ 1.302,00[2], dos quais R$ 584,00[3] correspondem ao aumento real, o que incrementa anualmente em mais de 400 bilhões a massa de rendimentos da economia.

Na primeira reunião do GT que trata do assunto, as Centrais Sindicais apresentaram o estudo propositivo elaborado pelo DIEESE no qual indicam as regras para a nova política de valorização do SM.

A proposta parte do pressuposto de que a experiência passada de sucesso é uma ótima referência. Portanto, em essência, propõem e defendem que a base da valorização do SM seja a mesma política já executada pelo governo do Presidente Lula e da Presidenta Dilma, qual seja: mantida a data base de janeiro, aplicar o reajusta do INPC dos últimos doze meses (janeiro a dezembro do ano anterior) para repor o poder de compra e um aumento real correspondente ao crescimento da economia, este medido pela variação do Produto Interno Bruto (PIB). Essa é a base para o futuro que está assentada no sucesso do passado.

A proposta apresenta também medidas complementares para acelerar esse crescimento, considerando que há uma grande distância a ser coberta pelos aumentos reais para que o SM venha a cumprir os preceitos constitucionais de atender às necessidades básicas do trabalhador e da sua família ou, de forma intermediária a este objetivo, chegar e manter no mínimo um valor que corresponda a 60% do salário médio da economia, este um objetivo perseguido e mantido na maior parte dos países desenvolvidos.

Esse acelerador significa no curto prazo, ou seja, nos próximos três anos, implementar o aumento real não aplicado pelo governo anterior, repondo a trajetória de crescimento da economia ao aumento do SM (5,4% aplicado em três parcelas anuais de 1,77%).

A proposta das Centrais Sindicais

Considerando, a longo prazo, que garantir um aumento real ao SM é parte da estratégia de sustentação do crescimento econômico através da ampliação do consumo das famílias a partir da renda da base da pirâmide salarial, o DIEESE calculou qual foi a variação média do PIB entre 1994 e 2022, identificando um crescimento médio anual do PIB de 2,4% no período. Objetivamente esse é um crescimento muito aquém daquilo que o país precisa para promover mudanças estruturais para alcançar a um padrão de desenvolvimento socioambiental desejado.

Diante disso, as Centrais propõem que a política de valorização tenha como piso de aumento real, no mínimo, esse crescimento médio passado de 2,4%[4], caso o PIB tenha aumento inferior, sinalizando que o aumento da base salarial é um produto econômico a ser promovido na sociedade brasileira.

Simples assim.

Fácil de implementar?

Não.

Sem dúvida possível, se o nosso entendimento e compromisso coletivo for com as transformações estruturais que superem a fome, a pobreza, as desigualdades, e estejamos mobilizados pelo sentido essencial de justiça reunidos pela tarefa de realizar mudanças fundamentais e organizados para promover desenvolvimento produtivo em um novo padrão de industrialização.

Clemente Ganz Lúcio é Sociólogo, Coordenador do 
Fórum das Centrais Sindicais, consultor sindical, ex-diretor técnico do DIEESE.

terça-feira, 18 de abril de 2023

Governo discute com bancos redução dos juros do cartão de crédito

Ministro Haddad afirmou que, ainda nesta semana, o governo deve lançar 14 medidas para melhorar o ambiente de crédito no Brasil

Min. Haddad na saída da reunião
Na segunda-feira, 17/4, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reuniu com representantes do setor financeiro para discutir formas de reduzir os juros do cartão de crédito, o chamado crédito rotativo. Em meio à disputa com o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos, pela redução na taxa básica de juros (Selic), o governo Lula prepara alternativas.

A redução do rotativo é uma das 14 medidas que o governo pretende anunciar ainda nesta semana para melhorar as condições do crédito no Brasil. Enquanto a Selic está em 13,75% – maior taxa real de juros do mundo –, o rotativo do cartão de crédito passa em alguns casos de 400% ao ano.

“Uma boa parte do pessoal que está no Serasa hoje é por conta do cartão de crédito. E as pessoas não conseguem sair do rotativo. Nós precisamos encontrar um caminho. Um caminho negociado, como fizemos com a redução do consignado dos aposentados”, disse o ministro.

Participaram da reunião, no ministério da Fazenda, o presidente da Federação Brasileira de Bancos, Isaac Sidney, e o diretor-presidente da Confederação Nacional das Instituições Financeiras, Rodrigo Maia. Também estiveram presentes os presidentes do Bradesco, Itaú Unibanco, Santander e Nubank.

Haddad afirmou que, “estamos negociando o rotativo faz tempo já. Nós já propusemos, mas a gente está numa negociação”.


E as taxas do consignado para aposentados e pensionistas?

A “negociação” que Haddad se refere é para a redução nas taxas de juros do crédito consignado a aposentados e pensionistas do INSS ocorreu após jogo duro por parte das instituições financeiras. Em 13 de março, o Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) decidiu reduzir a taxa do consignado do de 2,14% para 1,7% ao mês. Na ocasião, a taxa máxima do cartão consignado também caiu, de 3,06% para 2,62% mensais.

Diversos bancos reagiram com boicote, suspendendo as linhas de crédito. As centrais classificaram a suspensão como “chantagem” e denunciaram a sede “sem limites” dos bancos em busca de lucros.

No fim do mês, CNPS se reuniu novamente para aprovar proposta do governo para o teto máximo de 1,97% ao mês nas taxas de juros do crédito consignado a aposentados e pensionistas do INSS. Os aposentados, por outro lado, defendiam 1,90% como teto. A taxa máxima do cartão consignado ficou em 2,89% ao mês.

Com informações: Brasil de Fato

quarta-feira, 12 de abril de 2023

Governo federal cria Grupo de Trabalho tripartite para fortalecer as relações de trabalho e as negociações coletivas

Inegável o esforço do governo federal em cumprir sua promessa de campanha de valorização do trabalhador. Agora, resta a expectativa do resultado que será obtido com o Grupo composto por membros do governo, trabalhadores e empregadores.


Na quinta-feira, 6/4, o presidente Lula instituiu, através do Decreto nº 11.477, a criação do Grupo de Trabalho Interministerial para elaboração de proposta de reestruturação das relações de trabalho e valorização da negociação coletiva.

O objetivo principal do grupo será para tratar sobre a democratização das relações do trabalho e fortalecer o diálogo entre o Governo federal, os trabalhadores e os empregadores, elaborando proposta legislativa.

Segundo o Decreto, o grupo será formado por 36 membros, sendo 12 representantes do Governo federal, 12 representantes dos trabalhadores e 12 representantes dos empregadores.

Os representantes do governo serão provindos de vários Ministérios e setores governamentais: Ministério do Trabalho e Emprego (que indicará cinco membros);  Casa Civil da Presidência da República; Advocacia-Geral da União; Ministério da Fazenda; Ministério da Agricultura e Pecuária; Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; Ministério da Previdência Social; e Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.

Na representação dos trabalhadores estarão as seguintes Centrais: Central Única dos Trabalhadores - CUT; Confederação Geral dos Trabalhadores - CGT; Força Sindical - FS; Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil - CTB; União Geral dos Trabalhadores - UGT; e Central dos Sindicatos Brasileiros - CSB. Cada uma indicando dois membros para participar do Grupo.

Os representantes dos empregadores serão indicados pelas seguintes entidades (cada uma indicando dois membros): Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil - CNA; Confederação Nacional da Indústria - CNI; Confederação Nacional do Comércio - CNC; Confederação Nacional das Instituições Financeiras - CNF; Confederação Nacional do Transporte - CNT; e Confederação Nacional do Turismo - CNTUR.

O Decreto também determina que o coordenador do Grupo poderá convidar especialistas e  representantes de outros órgãos e entidades, públicos e privados, nacionais e internacionais, quando da pauta constar tema relacionado às suas áreas de atuação, para participar de suas reuniões, sem direito a voto; e as reuniões serão semanais em caráter ordinário e, em caráter extraordinário, mediante necessidade e convite do Coordenador.

Na questão de votações e comparecimento às reuniões, o Grupo de Trabalho Interministerial é de maioria absoluta e o quórum de aprovação é de maioria simples. E em caso de empate o Coordenador tem o voto qualificado.

O Decreto institui que o Grupo tem duração de 90 dias contado a partir de sua instalação e o relatório final das atividades do Grupo de Trabalho Interministerial será encaminhado aos titulares dos órgãos e das entidades nele representados.

Com informações do Decreto nº 11.477

segunda-feira, 3 de abril de 2023

Novo reajuste do mínimo em maio vai ter impacto de R$ 4,4 bi

 

Segundo levantamento da IFI (Instituição Fiscal Independente) do Senado, o aumento do salário mínimo de R$ 1.302 para R$ 1.320, em maio, vai resultar em impacto de R$ 4,4 bilhões nas contas públicas.

A política de valorização do mínimo é uma das principais agendas que Lula trouxe da campanha

Com o reajuste previsto para maio, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai conseguir poupar R$ 2,2 bilhões de janeiro a abril. Dados do Ministério da Fazenda apontam que R$ 1 a mais no salário mínimo aumenta os custos da União em R$ 390 milhões por ano.

Dia 1º de janeiro, o salário mínimo passou de R$ 1.212 para 1.302. Com o novo valor, o salário terá ganho acima da inflação de 2,8%.

Segundo dados do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), isto representa o maior aumento real desde 2012, quando foi de 7,59%.

Impactos positivos

Conforme o Dieese, os impactos da elevação do salário mínimo na economia em 2023, de R$ 1.302, seguem estas estimativas:

• 60,3 milhões de pessoas têm rendimento referenciado no salário mínimo.
• R$ 69,3 bilhões representam o incremento de renda na economia.
• R$ 37,4 bilhões correspondem ao aumento na arrecadação tributária sobre o consumo.

Com informações: DIEESE